Deep in the meadow, under the willow, a bed of grass, a soft green pillow.

Sábado, 28 de Julho de 2012

Correspondência. #1

Queridos avós,

sou eu, a vossa neta (quase esquecida), Inês. O motivo pelo qual eu estou a escrever esta carta é porque comecei a ir a um psicólogo. Contei-lhe sobre tudo o que me atormentava - incluindo vocês - e ele aconselhou-me a escrever-vos esta carta e tentar exprimir tudo o que me passa cá dentro. Toda a dor, todas as lágrimas que já soltei por pensar que já se tinham esquecido de mim. E não arranjo maneira melhor de exprimir isso tudo a não ser com raiva. Mas vocês são meus avós, apesar de tudo, e ainda lhes devo um bocado de respeito mesmo que vocês não me tenham ligado durante anos, nos dias mais importantes da minha vida.

Nós partilhamos a mesma dor. Não pensem que são só vocês a sentir a dor que eu sinto desde há 6 anos. Não. Todos os dias eu sinto essa dor e ainda mais aguda porque não tenho os pais do meu pai a apoiar-me. Será que vocês têm a noção do que um telefonema pode fazer, nos dias mais escuros? Não têm, porque acredito que se tivessem, todos os dias destes 6 anos, me teriam ligado. Mas não o fizeram. Era rara a vez que o faziam e por isso eu culpava-me vezes sem conta. Arrecadava com as culpas enquanto vocês eram os únicos culpados.

E agora, tenho 15 anos, e já perdi a conta às vezes que a minha mãe já me disse para vos ligar. Mas para quê? Se me ignoraram durante tantos anos, qual seria a diferença que umas pequenas e vagas palavras minhas e vossas, iria fazer? E já me perguntei o mesmo antes de escrever esta carta, porque quem é que me diz que vocês não a vão ignorar?! Mas estou a escreve-la, na mesma, porque sei que se vocês não responderem... então posso dormir descansada, pois aí saberei que a culpa nunca foi minha.

Talvez um pequeno sentimento de revolta se esteja a criar dentro de vós durante estes 6 anos. Até por saberem que a minha mãe já encontrou alguém novo. Mas a minha mãe tem todo o direito de refazer a sua vida; e eu, como sua filha e como filha do seu filho, sei admiti-lo. Mas vocês não. Mas agora pergunto: se tivesse sido ao contrário, se fosse a minha mãe que tivesse falecido, vocês não quereriam que o meu pai refizesse a sua vida? Que tentasse encontrar uma mulher que pudesse preencher todos os buracos no seu coração e que o fizesse esquecer a dor que se tinha alastrado pelo mesmo? Se a vossa resposta for afirmativa, então terão que compreender a minha mãe. Se a vossa resposta for negativa, não sei o que mais vos diga.

Durante os anos que o meu pai esteve presente, quase não havia dia que vocês não me falassem. E então, a partir do momento em que o meu pai deixou de estar presente, é raro o dia em que vocês me falam. Ou melhor, é raro o mês em que vocês me ligam. Ou se lembram de mim e do meu irmão. Da quanta falta vocês me fizeram durante os piores anos da minha vida.

E porque não disse "falta nos fizeram"? Porque o meu irmão cresceu não sabendo que tinha quaisquer outros avós a não ser os maternos. Ele não sabe quem vocês são nem que alguma vez fizeram parte de nós. O meu irmão tem agora 9 anos. Dá para acreditar? Ele não sabe quem são os seus avós paternos. Não se lembra. A única coisa que ele se lembra é das noites ruins que ele passou há uns meses. Das noites em que ele chorava com saudade do pai e das lágrimas que lhe caíam pela cara por não se lembrar da sua cara. Dos dias em que não queria ir para a escola porque não tinha passado quase tempo nenhum com o nosso pai. E o que vocês fizeram quanto a isso? Nada, porque nem sequer tinham conhecimento do acontecido porque nunca, nestes anos, quiseram saber. Ou se quiseram, não se deram ao trabalho de nos ligar.

Qual era a dificuldade de pegar no telefone e nos ligar, a perguntar se estava tudo bem? Se o tivessem feito, eu não tinha que estar a escrever isto com lágrimas nos olhos e com dor no coração. Nada disto estaria a acontecer. Muitas palavras erradas não teriam sido utilizados contra a minha mãe, e muitas acções injustas não teriam sido feitas contra nós.

Não sei se vocês vão ignorar esta carta, como fizeram connosco, mas se o fizeram só vos peço uma coisa: Guardem este pedaço de papel para que um dia, quando voltem a pegar nele, percebam a maneira como nos deixaram: a um canto, numa gaveta, guardados e a ganhar pó. Talvez nesse dia, eu já esteja licenciada e a trabalhar na área de psicologia - mais uma coisa que vocês não sabiam -, ou quem sabe já esteja noiva. A única coisa que importa, é que vocês percebam a falta que um dia me fizeram.

Aqui está o meu número de telemóvel, caso não queiram escrever e queiram ligar-me: *********. Vou ficar à espera, mesmo que por um lado não acredite que alguma vez me responderão. E se assim for, pelo menos terei na minha consciência que nos meus humildes 15 anos tive iniciativa, discernimento, orgulho e coragem de expor a minha vulnerabilidade perante quem, depois de eu ter perdido o maior pilar que alguém pode ter na vida, me ignorou como se eu fosse nada.

Adeus, beijos e abraços da vossa (in)esquecível neta,

Inês Ferreira.

A carta está escrita e depois de muitas lágrimas, só me falta colocá-la nos correios. Depois disso, posso ficar descansada... já fiz a minha parte. Agora o final cabe-lhes a eles (se leram isto até ao fim, merecem uma salva de palmas por serem tão bons seguidores).

uma filosofia de agnes hope às 13:33
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Sexta-feira, 27 de Julho de 2012

Correspondência.

Querida maria,

quase que ias ganhando uma nova conquista! mas pronto, nunca se sabe o que se deve esperar de rapazes... E por falar nisso, já te contei da minha aventura no Vasco da Gama? Horrível! Estava com três amigas minhas mas duas delas tinham ido ao Continente comprar uma garrafa de água então fiquei com outra na fila dos gelados Olá. Para ficares dentro do contexto, antes de eu continuar: eu sou daquelas pessoas que diz adeus a toda a gente que entra pelas portas vindas da estação, no Vasco da Gama. Então, ora, entram uns cinco/seis rapazes e eu fiquei a olhar (até porque na fila não se tem muito para fazer) e eles a olhar também. Virei-me para essa minha amiga e disse "Olha ali!". E, à medida que ela olha, eles já estavam a olhar. Eu olhei e eles começaram a dizer adeus e então lá vou eu, toda parva, dizer Adeus. O que os levou a vir para a fila, também, a assobiar e a chamar "oh tu!". Eu só conseguia pensar: o que é que foste fazer? Eu e a minha amiga acabámos por sair da fila para irmos ter com as outras duas e eles começaram a gritar "Tão?" à medida que nos afastávamos. Eu... não sou de segurança.

Eu antes também andava sempre mais feliz, sabes, quando era pequena. Mas acho que o facto de agora sorrirmos menos do que antes, se dá porque percebmos melhor o que o Mundo reserva nos seus cofins e quando éramos mais novos não. Acho que já conhecemos uma certa maturidade para entender as coisas - mesmo quando não queremos entender - e isso pode arrancar um sorriso ou outro de nós que ainda estaria por dar. Por isso é que eu desejava ter a inocência que eu uma vez tive, quando tinha 5 anos. Mas há que sorrir, mesmo que nos esforcemos, não é verdade? Acho que precisamos de sorrir no dia-a-dia, mesmo que nos custe. Faz o mesmo.

A minha mãe também tem a mania de dizer que ando sempre de trombas. Mas quando vou toda sorridente para ao pé dela, ela pensa que eu vou sempre pedir-lhe alguma coisa. Maior parte das vezes, acaba por ser isso, mas outras é porque estou bem simplesmente. E isso irrita-me, o facto de ela sempre pensar que é para eu ganhar alguma coisa. Enfim.

E não puderia concordar mais com o que disseste. É necessário ultrapassar obstáculos e com cara de carneiro-mal-morto, nunca se consegue.

Desculpa ter demorado a corresponder-te... Até à próxima carta.

huge kisses,

agnes hope.

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uma filosofia de agnes hope às 12:01
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Das novidades

Querida maria,

não apareço por este lados desde domingo. Fui para a minha viagem de finalistas e nunca pensei que aquilo fosse tão bom. Para além de ter conhecido pessoas brutais (do meu chinês, do qual eu já falo mais à frente!), ganhei mais confiança em mim mesma. Aquilo é do mais awesome que há, e os monitores são as pessoas mais awesome que existe.

Agora passo para o meu Chinês, que é a minha grande paixão! O nosso monitor, e coordenador das nossas actividades, e que é chinês (o que já deves ter percebido). Ora, criei uma grande paixoneta pelo homem e pelo seu "fette atencion", "oh meus senhores", "oh caramelos", "ah hum". Óbvio que isto não é daquelas paixonetas verdadeiras, apenas tenho um grande carinho por ele. Aliás, penso que toda a gente saiu de lá com um carinho especial aos monitores, porque mesmo que não pareça, em três dias crias uma ligação impressionante com eles. Voltando ao Chinês, já chorei de tantas saudades que sinto dele! Portanto, imagina lá como foi aquilo. Eu e ele cantávamos os Gato Fedorento (Nós vamos todos falecer) juntos, ele chamava-nos de princesas e até me deu uma coisa dele (só a mim, até porque fui só eu que lhe pedi) e disse que gostava muito de mim. Após de mil abraços e beijinhos dele, sinto as mais intensas saudades dele. Uma coisa é certa: eu hei-de visitá-lo!

As actividades foram cansativas, mas awesome! Fizemos paintball, escalada, slide, rappel, orientação noturna, ciclo das pizzas, high ropes e muitas mais. Após estes 3 dias só te tenho a dizer que tenho um escaldão em pêras, morro de saudades daquilo e dói-me tudo!

Não tenho mais coisas para te contar... bem, ter até tenho mas depois não me calava com o Andrew (chinês).

(ora, eu sou aquela com uma fita na cabeça [que horror] e ao meu lado [a loira] é a Dora, que é uma das monitoras)
 

(e esta sou eu e o meu Chinês, ambos com caras de parvos e tudo por culpa do sol)

uma filosofia de agnes hope às 21:11
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